pé sem cabeça
Então, em um ato súbito de lentidão, começou a caminhar.
Primeiro, em passos bem curtos e ritmados, como se estivesse
tentando chegar à solução de um problema matemático. Em seguida, embaralhando
os números, seus passos se descompassavam e as passadas se fizeram mais largas
e com intervalos irregulares. As lacunas de uma teoria infundada e afundada em
múltiplas direções.
Primeiro, pensava, deve-se selecionar e circundar os
elementos desta problemática. Em seguida, deveria fazer tantas combinações
possíveis entres os elementos. Seguindo este método, pegou os elementos que
tinha a mão ou, melhor dizendo, em seus pés, e foi misturando misturando a tal
ponto que seus pés foram se multiplicando e já quase não existiam, ou melhor
dizendo, se transformaram em pontes,
estradas, curvas setas horizontes.
TODO
Todo esse relevo não significava nada.
Fincou um pé no chão e ali escreveu.
Parte 1: Problema não tem solução tem construção.
Enquanto isso o outro pé fazia dançar os dedos fora do
sapato a fim de coordenar melhor os sentidos de cada direção. Dedo 1, dedo 2,
dedo 3...
FORA
Parte 2: Um corpo tem dois pés e uma cabeça. Ou um problema
vem do dois ou dois problemas vem de um.
Um dois um dois um...
PARTE
Parte 3: Um problema não tem partes. Tem fases?
Enquanto calçava o sapato, viu passar uma pessoa que havia
sido vizinho na rua onde morava. Quis acenar com as mãos, mas elas estavam
finalizando o laço. Então fez um leve movimento com a cabeça e um breve
descolar dos lábios em ato de simpatia.
A CENA
Seguia caminhando e, de repente, tropeçou. O dedão inchou.
Devidas às proporções, dedão tal qual cabeça. Pensou.
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