verão póstumo

diante da implicante dúvida,
o silencioso exilado resolveu assuntar
;
chegou aonde não se chegaria a pé.
em pé, estava deserta naquela ilha :
queria que o mar me levasse. me dusa.
sem tentáculos, resolveu salvar o delírio
de seu desacordo. na encruzilhada,
o oráculo apareceu:

não estava ouvindo nada.
a última canção que lhe sussurrava era uma
dos beatles... it's getting better all the time.

bateu com os olhos no rochedo.
deixou cavar o passado nas sombras das árvores.
era um lugar fora de si. se eu soubesse pra onde ir
não estaria aqui, ele disse.
o oráculo calou-se.
e longe fez-se metal no trilho.
resquício de um amor longínquo,
um amor oxidado,
eu vi a carcaça. e não pude salvar.

disse o iching,
uma chuva torrencial.
a imagem do irromper.

mas para onde vão todas
as águas-vivas mortas?

fiz tchibum. e já estou no alto
da escala, esbanjando céu para todos
os ex-ilhados como eu. tive vontade de plantar
flores nas chaminés.

para onde você foi?
o que foi feito do seu sorriso?
devo te desaguar?

respirei na boca
do céu, pulei ondinhas
nos meus travesseiros,
abracei teu cheiro como
se ainda fosse hoje
e resolvi que pode ser diferente.
tudo diferente.

preciso tomar cuidado com
os pensamentos. e não precisou
o oráculo dizer.
tenho calma,
mas tenho vontade.
medito para o que não foi dito
nem sentido.

e que meu coração me perdôe
pelo exílio.
quando o trilho terminar,
não haverá mais correntes.


mas ainda finge
que a esfinge não
se esquiva.
é tempo de estio.
o calor da vida,
pulsando em orações
me faz lembrar quão
trágico é nosso destino
de amar sem navegar.


(escrito em junho de 2010)

Comentários

tomazmusso disse…
Até me esqueci do que ia dizer...
tomazmusso disse…
demais, vc que escreveu??
Luisa Coser disse…
tom, ce sabe bem q fui eu neh??? ainda mais com um tchibum no meio da coisa.... ahhaha
tomazmusso disse…
hahahhaa, sei sim! adoro as onomatopéias.
beleza, lindos textos!
volta e meia passo por aqui!
Abraços!

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