pára com isso
hesitei. fiquei mexendo nos papéis ao meu redor.
andando pelos corredores. olhei pro meu pé. pro meu chão.
pensei numa árvore de frutas gigantes. pensei num não-diálogo.
lembrei de como era um alguém. tomei um xícara de café.
vou sair pra rua. ainda faz meio-sol. não, não vou. eu procuro.
e sei que procuro palavras. e elas não vêm.
sabia que eram palavras. não era uma música, nem um livro,
nem uma gota de sangue, nem a cidade. era aqui mesmo neste canto.
elas estavam aqui. aonde eu estou. agora. tive receio da minha reação.
o que encontrar. por que não abro logo esta poesia, ou por que não a largo de vez?
essa agonia era o pressentimento de um simples
despespero de esquecimento.
mas é. a mão se pousa. o pensamento voa.
o horizonte voa.
posso dizer então o que quiser.
farei isso:
viajo além do que (in)vejo.
esqueço o que perco.
perco o que não esqueço.
te perco, mas te tenho.
estou querendo ter algo
que está fora do tempo.
será que são palavras em desuso?
sentimentos obsoletos, existem?
olha, o que sinto agora está fora de moda.
não tem tendência, serve
pra chuva e pro solzão.
será que esse arrepio
é do mesmo vento que bate aí?
bateu?
respirei fundo. (eu vi a forma disso, pensei, por que uma linha é mais comprida que a outra?)
cada espaço tem seu tempo. e seus vazios.
e suas pressões.
queria escrever fora do espaço
mesmo a parede me empurrando.
eu voltarei.
meu quarto nunca me perde.
e eu sempre esqueço que lembro
sempre.
isto tudo
é pra tentar dizer que
eu nunca lembrarei
do quero esquecer.
e também:
a imagem me excede.
o excesso me diminui.
Comentários
muito bom !