à gauche
saí descalça e voltei chovendo;
com uma asa embaixo do braço,
engoli o espirro da liberdade e fui dormir.
parei para olhar o deserto,
e uma cidade inteira me engoliu.
fui atropelada por minha falta de senso.
sem direita e sem esquerda,
fiz um gol no absurdo
e o céu me agradeceu amanhecendo.
a palavra certa engasgou e virou lágrima.
não tenho dinheiro pra comprar palavra limpa.
uso e reuso as que cabem em mim.
não compro guarda-roupa.
não tenho ferro.
e tenho várias feridas.
vou passar o amanhã a limpo.
puxei a cortina do dia,
vou me vestir de mendiga,
vou catar nobreza na rua.
quero viver no impróprio.
embaixo,
bem embaixo
de onde imperam as ruínas
do Logos.
sem pressa, perdi a hora,
fiquei sem mapa,
e me perdi.
me dobrarei em mil pedaços, ou mais.
não contarei, não conterei.
me guardo esta noite numa página em branco.
agora é já amanhã.
Comentários
bj drope .
isso é aquela coisa pra se ler várias vezes, que sempre é diferente.
é um momentão...
beijo