homenagem à adelia prado
a poesia abaixo foi escrita por ela, essa mulher que tão sabiamente poê Deus em minúcias.... e ontem à noite cheguei em casa ávida por poesia, por encantamentos, me deito sobre isso. Obrigada.
BULHA
Às vezes levanto de madrugada, com sede,
flocos de sonho pegados na minha roupa,
vou olhar os meninos nas suas camas.
O que nestas horas mas sei é: morre-se.
Incomoda-me não ter inventado este dizer lindíssimo:
"ao amiudar dos galos". Os meninos ressonam.
Com nitidez perfeita, os fragmentos:
as mãos do morto cruzadas, a pequena ferida no dorso.
A menina que durante o dia desejou um vestido
está dormindo esquecida e isto é triste demais
porque ela falou comigo: "Acho que fica melhor com babado"
e riu meio sorriso, embaraçada por tamanha alegria.
Como é possível que a nós, mortais, se aumente o brilho nos
olhos
porque o vestido é azul e tem um laço?
Eu bebo água e é uma água amarga
e acho o sexo frágil, mesmo o sexo do homem.
BULHA
Às vezes levanto de madrugada, com sede,
flocos de sonho pegados na minha roupa,
vou olhar os meninos nas suas camas.
O que nestas horas mas sei é: morre-se.
Incomoda-me não ter inventado este dizer lindíssimo:
"ao amiudar dos galos". Os meninos ressonam.
Com nitidez perfeita, os fragmentos:
as mãos do morto cruzadas, a pequena ferida no dorso.
A menina que durante o dia desejou um vestido
está dormindo esquecida e isto é triste demais
porque ela falou comigo: "Acho que fica melhor com babado"
e riu meio sorriso, embaraçada por tamanha alegria.
Como é possível que a nós, mortais, se aumente o brilho nos
olhos
porque o vestido é azul e tem um laço?
Eu bebo água e é uma água amarga
e acho o sexo frágil, mesmo o sexo do homem.
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